Filmes & Séries

17: Drama no leste de Oslo

16 de outubro de 2018

Com a aproximação da minha prova chegando, estou consumindo alguns seriados e filmes disponíveis no app da NRK (rede de televisão norueguesa), pra treinar o ouvido, aprender novas expressões e ainda assim entender alguns problemas sociais do país. Tudo aquilo que expliquei no post que fiz sobre SKAM, pra vocês.

Na última semana de setembro, antes das férias de outono, meu professor faltou por um dia e tivemos aula com uma vikar (substituta) e apesar de ter achado a aula bem chata, ela deu a dica de uma série que tinha acabado de ser lançada pela NRK, a 17. O tema da nossa aula era sociedade multicultural e assistimos a um episódio em sala. Gostei, e resolvi assistir o resto em casa.

Bom, 17 trata em 17 episódios bem curtinhos (de 15 a 20 minutos), 17 dias da vida de Abdi, um garoto de 17 anos que é parte da segunda geração de imigrantes da Somália. Esse perfil é bem comum em uma região específica de Oslo, a região leste, mais especificamente em Grorud e Stovner. A série tenta retratar como esses adolescentes conseguem conciliar a vida de casa com a vida fora de casa.

O que eu quero dizer com isso? Sendo da segunda geração de imigrantes, os pais (do Abdi) são da Somália, vivem como somali, mantendo os costumes, idioma, comida e religião dentro de casa. Alguns não se comunicam tão bem assim em norueguês, e têm dificuldades específicas para se integrar na sociedade. Já o Abdi, a segunda geração da família, nasceu na Noruega, vai para a escola norueguesa, fala norueguês, se relaciona com noruegueses ou outros adolescentes que são segunda geração de outros países também, e vive em uma briga interna consigo mesmo, em como lidar com essas diferenças culturais.

O interessante da série é tentar entender um pouco “do outro lado”. É muito comum a gente ler matérias sobre pais que mandam seus filhos assim que completam 17 ou 18 anos para os seus países, para que eles consigam manter os costumes que eles julgam serem mais importantes do que os noruegueses, geralmente para se casarem com alguém que eles nem mesmo conhecem ou ir para uma escola específica, onde esses valores, que os pais julgam serem importante, serão ensinados e tratados diariamente na vida deles adolescentes. Geralmente eles não voltam mais para a Noruega, e a série nos ajuda a entender o porque.

O Abdi vive por todos esses 17 dias dramas que são normais na vida de um adolescente. Bebida alcóolica, relacionamento afetivo, amizade “de irmãos”, festas, cinema, drogas, e por aí vai. É interessante entender como as coisas acontecem dentro e fora de casa. A mãe do Abdi constantemente preocupada com o comportamento dele, comparando-o diretamente com o irmão mais velho (que escondia vários desses comportamentos da mesma), criando uma expectativa que parece ser completamente inalcançável por parte do Abdi, que só quer ser parte da sociedade onde ele vive, ter os seus amigos, curtir a vida como um adolescente comum, e por aí vai.

Gostei bastante da série por ser bem curtinha, assisti tudo em um dia e apesar da série ser em norueguês, muitas das expressões usadas são bem específicas por serem usadas por essa geração de “imigrantes”. Acredito que não tenha tanta utilidade assim no meu vocabulário (até porque eu já não sou adolescente faz tempo haha), mas conhecimento nunca é demais, né?! Você pode assistir a série no site (ou app) da NRK clicando aqui ou nesse perfil do Youtube com legendas em inglês.

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