Estudando Norueguês

Como foi fazer a norskprøve nível B1-B2

2 de dezembro de 2018

Eu contei toda a minha saga para aprender o idioma desde que cheguei aqui na Noruega e acredito que ter feito a norskprøve foi um marco tanto na minha vida como um todo quanto no meu desenvolvimento e aprendizado na língua. Quando eu entrei na escola para começar os meus estudos na língua, eu não tinha idéia de quanto tempo demoraria para conseguir me comunicar, escrever um texto, ler uma notícia no jornal ou até assistir a um programa de televisão em norueguês.

Acho que o que acontece é que a gente vai buscando informações de outras pessoas que passaram pelo mesmo, e acabamos espelhando as nossas experiências nas de outras pessoas. E é justamente isso que eu não quero fazer com o meu blog e o meu canal no Youtube. A minha idéia sempre foi compartilhar exclusivamente a minha experiência com a intenção de fazer as pessoas pensarem e aplicarem o que elas acham que seja relevante na vida delas, e não que tomem a minha experiência como as delas. Aprender uma língua pode ser algo bem divertido (como é para mim) ou pode ser bem frustrante, não tem como controlar, depende das motivações, obrigações e objetivos de cada um.

Dito isso, acho que posso dizer que me pressionei muito com relação à essa prova. É uma prova difícil? Até que não. Acho que os professores quando estão nos preparando para fazê-la, acabam colocando uma pressão absurdamente alta para que fiquemos com medo, ou achando que não somos capaz de fazê-la pro nível que gostaríamos de ter. A verdade é que quando você se inscreve pra fazer uma prova desse tipo, você já está em determinado nível do idioma e dificilmente vai conseguir mudar isso em duas ou três semanas. Eu demorei a entender isso mas o fato de ter começado a trabalhar algumas semanas antes de fazer prova acabou me ajudando a relaxar um pouco em questão a isso, porque o meu objetivo principal estava basicamente cumprido, independente do resultado da prova.

Eu me inscrevi para fazer a prova de nível B1-B2. Não porque eu tinha a necessidade de atingir o nível B2, que é o mais alto dessa prova, como muitos que a tentam até mais de uma vez (é o nível exigido para entrar na universidade aqui na Noruega), mas sim porque eu fui avaliada na escola e me foi garantido que o nível intermediário, que é o B1, eu já teria alcançado e o conseguiria de qualquer maneira, por isso me aconselharam a tentar atingir o nível B2, porque chance eu teria. E foi meio que isso que aconteceu mesmo.

A prova é dividida em quatro partes: leseprøve (interpretação de texto), lytteprøve (audição), skriveprøve (escrita) e muntlig (conversação). As três primeiras fazemos em um dia, e a última em outro dia separado. A gente chega na escola no máximo trinta minutos antes da prova começar, precisamos nos registrar na secretaria e também pagar pela prova (caso você não tenha direito a fazê-la grátis). Depois disso precisamos esperar do lado de fora da sala, enquanto os outros alunos chegam e a sala é preparada para nos receber. Quando faltam exatos 30 minutos para começar a prova, entramos na sala e os nossos nomes já estão determinados onde vamos sentar. O computador aberto na página da prova, e na lousa, informações práticas sobre como vai funcionar a didática durante a mesma. Peguei uma mesa grande, na parte de trás da sala e no meio. Gostei, porque não fiquei tão perto da janela e nem dos aquecedores (eu passo muito calor) e também consegui ter uma visão mais panorâmica da sala, sem ter ficado com o rosto colado na parede, por exemplo. Me sentir confortável na sala foi importante, porque a prova durou cerca de 5 horas.

Começamos com a leseprøve e no telão estava marcado que teríamos 75 minutos para fazê-la. É de extrema importância que tenhamos controle sobre o tempo disponível para fazer a prova, porque apesar de não ser uma prova difícil, ela é demorada. Todos os candidatos começam com o mesmo nível de prova, independente de qual nível tenha sido escolhido, pois essa é uma prova adaptativa. Começamos fazendo uma “pré-prova” no sistema, que pode ser divida em até três partes (de 6 a 8 questões cada). Isso vai determinar qual nível de prova principal (com cerca de 20 questões) o sistema vai te enviar automaticamente baseando-se nas suas respostas. Eu peguei as três partes da pré-prova, e depois percebi que isso era bom, porque acabei pegando mesmo o nível B1-B2 para responder na leseprøve. Eu particularmente achei essa a prova mais fácil. O bom dessa prova é que podemos “caminhar” pelas questões, indo e voltando. Eu tive tempo de responder as três pré-provas e toda a prova principal, tive ainda uns dez minutinhos pra voltar e conferir as minhas respostas. Vi que algumas pessoas chegaram a não terminar a prova, o professor interrompeu o site porque o tempo havia se esgotado, portanto: tenha controle sobre o seu tempo!

A segunda prova foi a lytteprøve. Achei a mais difícil das três que fizemos nesse dia. Ela também é uma prova adaptativa, então o candidato pode receber também até três pré-provas até receber a prova principal. Eu, novamente, recebi três partes e também acabei pegando o nível B1-B2 nessa prova. Sei disso porque em determinado parte da prova principal, passamos a ouvir os áudios apenas uma vez (no restante da prova, ouvimos duas vezes), e isso significa que você passou pelo B1 e agora está no nível B2. O único exercício que achei extremamente difícil dessa prova, foi o último, os demais achei de uma dificuldade normal, nada impossível de se ter respondido. Nessa prova o candidato não pode passear pelas questões, o sistema corre automaticamente. Então você deve ouvir o áudio e marcar uma alternativa a tempo do sistema passar para a próxima questão, sem chances de correção. Nessa prova, mesmo sabendo que você tem de 25 à 50 minutos para fazê-la (depende do nível), você completará ela a tempo porque o sistema calcula automaticamente o tempo entre as questões.

Depois de um intervalo de 15 minutos, começamos a terceira e última prova do dia, a skriveprøve. Eu me preparei muito para essa prova, escrevi semanalmente textos durante os meus últimos meses de curso de norueguês. Essa prova é definida pelo nível que o candidato se inscreveu. O tipo de texto e tema varia de nível pra nível, como eu me inscrevi para fazer o nível B1-B2, é dele que vou dar detalhes a seguir. Na prova de escrita de nível B1-B2, temos que escrever dois textos. A prova tem duração máxima de 120 minutos, então é bom ter controle do tempo gasto em cada texto aqui também. O primeiro texto é sempre uma klagebrev, ou seja, o candidato deve escrever um e-mail ou carta reclamando ou sugerindo algo. No meu caso, o tema era o seguinte: “a empresa em que eu trabalho está se mudando para outra cidade, todos que trabalham na empresa deverão se mudar junto ou se desligarem da empresa, e isso trará problemas para você. Escreva um e-mail para o seu chefe dizendo o porque você ser contra a mudança”. Esse texto é bem simples de ser escrito, você tem que escrever no mínimo 80 palavras então é bem tranquilo. Eu acabei escrevendo por volta de 130, porque sinceramente, acho 80 palavras pouquíssimo. Eu dei duas razões pelas quais eu era contra a mudança da empresa. Preferi escrever um texto mais grosso com as minhas idéias primeiro, e avançar na prova, depois voltando a corrigindo a gramática e estruturando o texto da melhor forma possível, porque pra mim o mais difícil ter idéia de argumentação, do que a gramática em si.

O segundo texto, o mais complexo de todos, é um texto argumentativo. O candidato recebe dois temas que são como “alegações”, e deve argumentar o seu ponto de vista, junto com pontos positivos e negativos sobre o mesmo. Eu pude escolher entre dois temas, sendo eles: “deveria ser autorizado o uso de ajuda externa para a realização da norskprøve?” ou “a licença da NRK deveria ser removida?” Eu escolhei escrever sobre o segundo tema, pois era um tema que eu já havia discutido antes aqui em casa quando estava me preparando pra prova. Devemos escrever entre 250 a 350 palavras, e se me lembro bem, escrevi cerca de 330 palavras. Eu usei 100 minutos para escrever os dois textos, depois demorei os 20 minutos finais para conferir tudo pela centésima vez antes de enviar os textos pelo sistema. Mesmo tento revisado muitas e muitas vezes, depois que cheguei em casa me dei conta de alguns erros que cometi, maaaas como diz o meu professor: se fosse pra escrever um texto perfeito, você não precisaria da prova, certo? Por isso parei de pensar nisso e entreguei na mão dos professores que irão revisá-lo, hahaha.

A última parte da prova é a prova de conversação, a muntlig. Eu estava extremamente nervosa, pois acho que o meu ponto fraco é justamente a conversação. Cometo muitos erros e estava com medo de pegar alguns temas que eu não teria vocabulário suficiente para falar sobre. Eu me inscrevi para o nível B1-B2 na prova, e novamente, é diferente a forma como essa prova é aplicada baseado no tema escolhido pelo candidato. Por isso, vou relatar como foi fazer o nível que escolhi apenas, o B1-B2. Essa prova a gente faz junto com outro candidato. Começa com um tema para você expressar o seu pensamento sobre, depois um diálogo (entre você e o outro candidato) e um segundo tema para você falar sozinho, dessa vez um tema argumentativo, onde você deve argumentar o seu pensamento sobre a alegação, vendo os pontos positivos e negativos. Nessa parte da prova, você vai receber no mínimo duas perguntas extras, elas ajudam o sensor a ter certeza do seu nível, e se necessário, você pode receber mais perguntas até que o sensor se sinta satisfeito e consiga te avaliar no nível correto.

O primeiro tema que peguei foi: “deve ser permitido fumar em restaurantes e cafés“. O diálogo, no qual tive que conversar com uma menina da Filipinas que fez a prova junto comigo, foi “conversem sobre profissões que deveriam ser só para homens, e profissões que deveriam ser só para mulheres“. E o terceiro e último tema foi “é melhor comprar pela internet do que na loja física“. A gente tem o direito de escrever e pensar por um dois minutos sobre o último tema, até começar a falar. Eu acabei recebendo três perguntas extras, pois o sensor não estava 100% certo do meu nível, e depois do terceiro, disse que era o suficiente. Não achei os temas que peguei extremamente difíceis, são temas que eu já havia pensado e discutido antes em sala de aula. Poderia ter sido muito pior, então fiquei satisfeita com o meu desempenho nessa prova, que era a que eu estava mais aflita e ansiosa para fazer.

O resultado chega pelos correios a partir do dia 10 de janeiro. Estou extremamente satisfeita com o meu desempenho como um todo. Independente do resultado, sei que dei o meu melhor e respondi as questões à altura do nível em que estou, não senti que o nervosismo e a ansiedade possam ter me atrapalhado, então estarei feliz com qualquer que seja o nível que eu tenha tirado nessa prova. A experiência foi válida, apesar de que eu sinceramente não espero ter que fazer uma prova parecida com essa tão cedo. É uma prova que, apesar de não ser extremamente difícil, exige controle, calma, atenção e o pior de tudo é a preparação pré-prova. A pressão e a ansiedade em fazê-la e esperar que dê tudo certo. Agora é só curtir o final de ano, esperar janeiro chegar e conferir a caixinha dos correios todos os dias, porque apesar de que eu não vou precisar utilizar o resultado dessa prova tão cedo, é legal ter uma comprovação oficial de que eu consigo me comunicar em norueguês e tenho determinado conhecimento na língua.

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Comentários

  • Responder JAÍNE SANTANA 2 de dezembro de 2018 at 13:58

    Olá, te acompanho desde da semana passa só rs, mas gosto bastante do seu blog e canal, vi no insta vc anunciando o post e fiquei mega curiosa pea saber como é a prova de proficiência, norueguês parece ser muuito difícil cara! Torço pra q vc tenha conseguido, e vou aguardar boas notícias sobre. Bjinhos!!!!

    • Responder Stephanie 2 de dezembro de 2018 at 15:35

      Acompanha lá no insta que vou contar o resultado quando chegar, com certeza 😀 beijos e obrigada por acompanhar!

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