Estudando Norueguês

O meu norueguês depois das 550 horas obrigatórias de curso

15 de maio de 2018

A última vez que eu falei sobre o curso de norueguês aqui nesse blog foi pra contar como foi a primeira semana no curso. Parece bizarro o quão rápido foi mas já se fazem 9 meses que eu estou no curso, e consequentemente, bem próxima de finalizar com as minhas 550 horas obrigatórias (faltam menos de 40! :D).
Quando eu comecei o curso de norueguês eu tinha uma base bem básica do idioma. Eu estudei um pouco enquanto estava no Brasil mas a frequência era bem baixa. Depois me mudei pra cá e apesar de ouvir o idioma todos os dias, eu não entendia absolutamente nada. E as pessoas também só conversaram comigo em inglês. Eu conseguia falar algumas palavras soltas, mas jamais tinha elaborado uma frase complexa antes. E então comecei a estudar, em agosto de 2017, 3 horas por dias, 5 dias por semana, como contei pra vocês como foi lá naquele primeiro post.

Eu comecei num curso básico, o A1, onde o professor ensinava desde o alfabeto, os dias da semana, como dizer oi e tudo mais. Eu aprendo muito rápido, e o ritmo dessa turma me incomodava um pouco porque era muito lento. O professor repetia muito, e no fim de das duas primeiras semanas de curso, eu não tinha aprendido absolutamente nada, só como dizer o meu nome e de onde eu vim. Observando tudo isso, o professor conversou comigo e me recomendou avançar em uma turma. Enquanto estávamos no capítulo 3 do livro (På Vei, nível A1), essa turma nova já estava começando o 8. Obviamente fiquei bem nervosa porque por mais que eu soubesse um pouco de norueguês, pular do capítulo 3 pro 8 parecia um abismo pra mim. Mas tudo bem, confiei no Per (o melhor professor que já tive) e fui. No começo foi esquisito, eu tinha medo de não entender nada, então em casa eu trabalhei no livro de exercícios e estudei sozinha todo o conteúdo dos capítulos que eu tinha perdido, eu fazia um capítulo por dia, com a ajuda do Thomas. Em uma semana eu já estava mega adaptada, e depois de 4 semanas nessa turma fizemos um teste e eu acabei me sobressaindo ao resto da turma, acertando 90% do teste enquanto os outros alunos estavam na faixa dos 60%. A professora conversou comigo e me mudou de sala novamente.

Em outubro de 2017 eu fui pra um turma que não usava o mesmo livro que eu estava usando, era o Hei! A2 (nível A2). O professor era britânico então usava muito do inglês pra esclarecer várias coisas na sala, e eu também comecei a sentar com a minha colega de sala (que ainda senta comigo até hoje), que é britânica também. Eu falava muito inglês, pensava muito em inglês e acho que isso era bastante culpa do professor. Logo na primeira semana, fui elogiada porque eu escrevia super bem, e é verdade. Eu tenho uma facilidade absurda em absorver regras gramaticais e aplica-las nos meus textos, mas o meu problema era falar. Eu não conseguia me expressar de jeito nenhum com a fala.

Daí que eu fiz mais um teste no fim do semestre (dezembro de 2017) e quando voltei pra escola depois das férias de inverno, tive a notícia novamente eu tive um resultado superior ao resto da turma. Em janeiro desse ano fui pra uma sala que estava usando outro livro, o Stein på Stein (nível B1), e já estavam começando o capítulo 7. Fiquei um pouco tensa de novo, e repeti processo que fiz quando mudei de turma a primeira vez. Estudei os capítulos 1 a 6 em casa, fiz todos os exercícios e consegui acompanhar a turma em menos de duas semanas. Eu acredito de fato que essa turma que eu entrei por último, era a turma que eu deveria estar desde o começo. Eu me sentia desafiada nas aulas, o grau de dificuldade era aquele que eu estava esperando quando comecei o curso. Todas as semanas eu tinha que fazer um texto sobre os temas importantes que caem na prova nacional de proficiência do idioma, e a cada semana eu conseguia ver que cometia cada vez menos erros. Peguei a “manha” de como escrever em norueguês, sempre de forma simples e respeitando a regra S-V-O, sujeito-verbo-objeto. Não sei como, mas além de escrever os textos super bem, eu comecei a conversar em norueguês. Não sei dizer como aconteceu, mas foi mais ou menos depois de um mês nessa nova turma.

Hoje, depois de 9 meses de curso, eu consigo fazer muitas coisas sozinha em norueguês. Eu faço compras sozinha, converso com os médicos e enfermeiras, compro o meu bilhete do ônibus todos os meses, participo das conversas entre família e amigos, e as duas últimas vezes que precisei ir na imigração, fiz tudo em norueguês também. Eu sei que eu aprendo rápido, e o fato de já ter estudado alemão por anos me faz absorver tudo de uma forma muito mais rápida ainda. Aqui eu compartilho a minha experiência, sei também que algumas pessoas têm muita dificuldade em entender o sistema norueguês, isso é muito relativo e varia de pessoa pra pessoa. Eu sempre fui bem em gramática, seja no português, inglês ou alemão, então praticamente nada é novidade pra mim (declinação de sujeito e adjetivo, advérbios, preposições mandando em tudo e por aí vai). Eu ainda não estou super confiante em me expressar em norueguês, mas eu tenho me esforçado e tentado falar sempre mais e mais todos os dias. Na sala de aula eu praticamente não converso, mas em casa e com os amigos, eu me sinto “livre” pra cometer erros.

Eu já passei das 510 horas/aula. Por lei, eu devo cumprir com 550 horas de norueguês (que devo terminar no comecinho de junho) e fazer o teste de proficiência na língua como requisito para o visto permanente (além de vários outros). Eu poderia muito bem fazer a prova já agora, no verão, finalizando as horas obrigatórias, mas decidi esperar mais um pouco e tentar um nível mais alto daqui há alguns meses, principalmente na prova oral. Muito provavelmente eu vou mudar de turma depois das férias de verão, eu já estou de saco cheio do ritmo dessa turma atual e também da demasiada repetição de coisas bem simples. O que vai ser ótimo pra mim por dois motivos: vou alcançar finalmente a última turma da escola (o nível máximo, B1/B2) e vou começar uma preparação intensa pra prova!

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